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Sou um aprendiz da vida, um aluno teimoso e muitas vezes repetente como a maioria, mas, após tantas quedas e solavancos da vida, eu começo a despertar as boas potencialidades latentes em mim. É um processo longo esse, bem o sei, mas não deixarei que pensamentos, sentimentos e emoções doentias tomem o controle da minha vida. Chega de de sofrer por causa dessas escolhas equivocadas! Tudo agora vai acontecendo passo á passo. Nada de pressa nem ansiedade, as coisas não acontecem de uma hora para outra. A natureza não dá saltos. Agradeço ao criador de todas as coisas por essa mudança que começa a se processar em mim.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Reflexões sobre impaciência e dificuldades de convivência.



08 de abril de 2026.

Hoje penso que as questões profundas do inconsciente estão incomodando bastante, mas sei que apenas eu posso buscar soluções para esses dilemas, que já estão pedindo soluções há anos e, muitas vezes, são ignorados ou mal interpretados. Porém, nesse momento, entendo que não posso funcionar do mesmo jeito, isto é, me esquivando ou evitando as questões que mexem nas minhas feridas. 

Hoje sei que o maior desafio para mim é a convivência com pessoas complexas como eu mesmo. Algumas vezes, sinto a hostilidade de alguns, mas sei que tudo o que me incomoda tem alguma razão de ser que está, necessariamente, dentro de mim mesmo e somente eu poderei dar a devida atenção a essas demandas.


Vamos ser mais claros, Francisco?


O que mais te incomoda nesse momento?


A impaciência é um grande desafio para mim e creio que está relacionada, creio eu, com a dificuldade de convivência, mas não apenas isso, pois creio que algum processo mal resolvido do passado pode estar por detrás de tudo isso. É óbvio que a ansiedade, que também é consequência, está presente em todos esses eventos. Mas, acho que agora eu vou ter que mexer nessa ferida, sem tentar massacrar ou transferir as responsabilidades que me cabem para pessoas ou fatores externos. Desde quando eu resolvi trabalhar como professor, eu tinha noção de ter que encarar esse grande desafio.


A convivência na escola José Piquet Carneiro trabalho há mais de 15 anos, tem sido um enorme desafio para mim, mas eu sei que as dificuldades estão dentro de mim, mas sei também que apenas constatar esse fato é insuficiente, pois tenho que buscar as raízes de todas as coisas que agora me acometem, já que estou consciente de que as muitas leituras não estão sendo suficiente, ou seja, não sou auto suficiente, algo que tem caracterizado meu comportamento até então. Mesmo eu tendo a certeza disso, meu comportamento caminha na direção contrária.


Mas, para falar das relações na escola em questão, preciso fazer uma viagem pelo tempo, para explicar os pormenores desse começo, pois talvez isso indique que o começo já não foi adequado, sendo o que está acontecendo agora também consequência disso tudo.


Sou fruto de uma família desestruturada, sem afeto, sem diálogo, sem nunca ter tido uma proximidade mínima com meus genitores, especialmente, minha mãe, pois meu pai espancava a gente, mas tinha raros momentos em que ele contava histórias para nós e isso ficou marcado como uma das poucas coisas boas dessa turbulenta convivência. Porém, não estou aqui para acusá-los, pois agora entendi que eles não podiam dar mais do que deram, visto que eles também eram crianças muito feridas e não sabiam lidar com suas questões. Hoje isso é muito claro para mim e penso que já ressignifiquei em parte esse passado.


Uma criança fechada em si mesma.


Me lembro que até os 7 ou 8 anos, aproximadamente, eu era uma criança fechada, quase sem amigos e que em casa e na escola, agia sempre da mesma forma. Viajava no meu mundo mental e nada conseguia me fazer voltar para a chamada “vida real”, que hoje penso ser árida demais para aquela criança. Talvez eu tenha características de autista, mas a minha escolha, mesmo que inconsciente, gerou consequência e fui chamado de retardado, alcunha nada lisonjeira, mas comum nos meus tempos de criança.


Na adolescência, já não era o menino extremamente introspectivo de tempos atrás, mas alguém tentando se adaptar ao vasto mundo ao seu redor. Uma aparente timidez, então, me caracteriza, mas eu era profundamente observador e já fazia uma leitura das pessoas ao meu redor. Tinha um terrível medo de ser rejeitado, e, por essa razão, não me aproximava das garotas, pois me achava feio, desajeitado e não merecedor da atenção e do afeto das meninas. Pouco a pouco, fui descobrindo que não era feio, pois os elogios começaram a surgir, mas eu ainda acreditava na mentira ouvida da minha família. Nunca vi meus pais elogiando nenhum dos seus filhos (tenho 8 irmãos) e todos têm maiores ou menores dificuldades devido a esse passado disfuncional.


Mas, será que esse passado já está superado mesmo? 


Será que você perdoou, verdadeiramente seus pais?


Agora estou realmente em dúvidas se passou da intenção para a internalização do processo. O fato é que eu estou fazendo um esforço para entender as limitações dos meus pais, mas eu tenho dúvidas se consegui sair da intenção para a ação. Talvez esse seja mais um dos problemas a serem equacionados.


Mas, voltando à questão da escolha pelo trabalho com educação: Eu tinha o que se poderia chamar de bom emprego, numa grande empresa altamente lucrativa e conceituada, mas eu nunca estive satisfeito e seguro lá. Quando aconteceu a privatização da EMBRATEL, esse é o nome da empresa, a insegurança foi bastante potencializa, mas curiosamente, foi após esse processo que fui crescendo, galgando postos dentro da empresa, até chegar a uma vida de classe média, podendo comprar carro zero e outros luxos e coisas da classe média média. As minhas questões psicológicas já estavam gritando, pedindo solução, mas eu comprava para satisfazer o meu ego e isso ia me enganando, empurrando para um futuro incerto, as questões mais importantes da minha vida 


Estudei história Influenciado pelo excelente professor João Roberto Lopes Pinto, do curso pré vestibular do sindicato dos funcionários da UFRJ. Ele era realmente diferenciado, sendo o melhor docente do curso. Em 1997, eu conheci um mundo a que eu não tive acesso durante a educação básica. O curso pré-vestibular era excelente e, apesar das minhas dificuldades em ciências da natureza e exatas, descobri ali que eu tinha facilidade para escrever, pois conseguia ter bom desempenho nas ciências humanas e língua portuguesa e me virava do jeito que podia nas demais disciplinas. 


Mas e o emprego?


Nesse tempo, a empresa ainda não havia sido vendida, mas eu buscava cursar uma universidade para não deixar minha família desamparada no futuro e eu tinha muito medo de ser demitido, pois já tinha dois filhos: o mais velho que já estava prestes a completar 8 anos e não morava comigo e a pequena Gabrielle, menina linda e loira a que mostrou a minha capacidade de amar, coisa até então desconhecida para mim, pois eu era (e ainda sou em certa medida) fechado sentimentalmente, tendo muita dificuldade de me expressar afetivamente. Essa menina conseguiu despertar em mim um amor que eu não sabia que era capaz de expressar, mas eu considero que mesmo o amor filial só é pleno quando temos nossas questões internas mais ou menos resolvidas e eu tinha ( e ainda tenho) muitas questões mal resolvidas. 


Márcia, mãe da Gabrielle, fez de tudo para quebrar minha concha, mas não conseguiu. Mesmo tendo suas dificuldades, teve uma convivência saudável com a mãe, por essa razão, sabe se expressar afetivamente muito melhor que eu e meus irmãos. Ela também ajudou bastante na minha “alfabetização afetiva”, apesar das minhas enormes dificuldades nesse aspecto.


Quando eu voltava do curso pré-vestibular em 1997, Gabrielle ainda não havia dormido me esperando chegar. Eu chegava mais de 11 da noite em casa e a ouvia correndo ao meu encontro com um sapatinho qu

e fazia barulho. 
















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