Quem sou eu

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Sou um aprendiz da vida, um aluno teimoso e muitas vezes repetente como a maioria, mas, após tantas quedas e solavancos da vida, eu começo a despertar as boas potencialidades latentes em mim. É um processo longo esse, bem o sei, mas não deixarei que pensamentos, sentimentos e emoções doentias tomem o controle da minha vida. Chega de de sofrer por causa dessas escolhas equivocadas! Tudo agora vai acontecendo passo á passo. Nada de pressa nem ansiedade, as coisas não acontecem de uma hora para outra. A natureza não dá saltos. Agradeço ao criador de todas as coisas por essa mudança que começa a se processar em mim.

domingo, 26 de março de 2017

Sexto ano questões 7 e 8 e revisão do primeiro bimestre.

       7-Coloque (V) para verdadeiro e (F) para falso nas afirmações abaixo
(  V   )O futebol-arte, o forró e o chorinho fazem parte da cultura brasileira.
(   F  )A cultura dos Estados Unidos é superior à cultura brasileira.
(   F  )Os povos indígenas do Brasil são selvagens e nós somos civilizados.
(   F  )Os europeus sãos os povos mais civilizados do mundo.
(   V  )Os japoneses são muito disciplinados e civilizados.
(   V ) As culturas são apenas diferentes e nenhuma cultura é superior ou inferior à outra.

8-Associe as colunas (30 e  31)
a)      Quem se considera superior aos demais povos pratica o.....     (H )patrimônio
b)      Entres os.......os homens usam saias.                                        (A  )Etnocentrismo.
c)       É o desconhecimento de outras culturas.                                 (G )patrimônio cultural
d)      Bens materiais, da cultura material.                                         ( B  )escoceses.
e)      Coisas ou bens da cultura imaterial                                          ( F  )cachoeira, praia....
f)       Ciosas da natureza, bens naturais.                                            ( C  )Ignorância
g)      Conjunto de bens materiais, imateriais e naturais de um país. ( E )Dança, brincadeiras etc.
h)      É tudo o que criamos, valorizamos e preservamos.              (  D) Um prédio, um museu..


Revisão do primeiro bimestre.

1-     O que a história estuda?

     A)   Estuda a história dos grandes personagens.
     B)   Os processos de mudanças e algumas permanências ocorridas na sociedade.
c   C)   Apenas os processos de permanecias ocorridas na sociedade
d   D)   Apenas as sociedades que deixaram alguma coisa escrita.

2-     Coloque (CI) para cultura imaterial e (CM) para cultura material.
( CM ) o livro, o computador, o álbum de fotografias.
( CI   )modo de preparar uma feijoada mineira.
( CI  )modo de os gaúchos prepararem o seu chimarrão.
( CM )A camisa, a mochila e a calça jeans.
( CM )onjunto de prédios antigo da cidade do Rio de Janeiro.
( CM )gravações sobre lendas antigos.
(  CI )jeito como se prepara uma buchada de bode.

3-     O termo cultura pode ser definido como:
a)     Tudo o que é feito pelos homens ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos.
b)    O estudo das sociedades mais letradas e avançadas.
c)     A história dos países apenas.
d)    O estudo das espécies animais inclusive o homem.

4-     Coloque (V) para verdadeiro e (F) para  falso.
(  F   ) todo povo tem o seu valor, mas  existe povo sem cultura.
(  V  ) Uma gravação de voz é uma fonte histórica oral.
(  V  ) Cantigas, lendas e entrevistas também são fontes orais.
(  F  ) O historiador não trabalha com fontes orais.
(  F  ) documentos, cantigas, lendas e brinquedos não são fontes históricas.
(  V   ) História é o estudo dos seres humanos no espaço e no tempo.
(  F   )Roupas, calçados e brinquedos são objetos da cultura imaterial.
(  V  ) o jeito de preparar uma comida  faz parte da cultura imaterial.
(  V  )As culturas não superiores ou inferiores, são apenas diferentes.
(  F  )a cultura europeia é superior à africana.

5-     Complete as lacunas das frases abaixo retirando as palavras do quadro..
-Orais- Imaterial- visuais- brinquedos- pegar- visuais- imaterial- superior- brinquedos- amarelinha- inferior- históricas- passado-escritas

a)     As brincadeiras como a AMARELINHA e os BRINQUEDOS antigos são exemplos de permanências históricas.
b)    O historiador estuda o PASSADO com base nas fontes_ HISTÓRICAS
c)     Não existe nenhuma cultura_ INFERIOR ou SUPERIOR à outra.
d)    Tudo o que não pode ser visto, não se pode ouvir ou PEGAR faz parte da cultura IMATERIAL
e)     As fontes HISTÓRICAS   podem ser  ESCRITAS , ORAIS, VISUAIS e da cultura material.

Sétimo ano primeiro capítulo com gabarito.



 Relacione as colunas (páginas 13 a 15)
a) Alta generalizada de preços                      (f )povos germânicos
b) Povos que habitavam a Germânia.           (e ) comitatus
c) Povos originários da atual Mongólia.       (d )idade média
d) Vai de 476 até 1453.                                 (a )inflação
e) Unidade militar formada por guerreiros.   (b )germanos
f) Godos, saxões, francos, alamanos etc.       (c )hunos.

2- Marque com um (x) a alternativa correta. (página 16)
a) Os germanos tinham um código de leis escritas.
b) As leis eram as mesmas para todas as comunidades germânicas.
c) As leis germânicas eram consuetudinárias, baseadas no costume.
d) Os germanos não tinham leis.

3- Marque com um (x) a alternativa correta. (página 16)
a) Os povos germânicos criaram uma mitologia baseada na mitologia.
b) A mitologia dos germanos era tão fascinante quanto à dos gregos.
c) Odin era apenas o rei.
d) Odin era o Deus da paz.

4- Coloque (V) para verdadeiro e (F) para falsos nas afirmações. (paginas 16 e 17)
(F ) Odin era o rei e o mais generoso dos Deuses.
(F ) Hugin era e a memória e Munin o pensamento.
(V )Odin eram também o deus da guerra.
(V )Thor era filho de Odin.
(F )O nome quinta feira homenageia Odin,
(V )O nome quarta feira homenageia Odin.
(V )O nome quinta feira homenageia Thor.
(F ) Freya era a deusa do amor e da fertilidade,
(V ) Freya era a deusa da fertilidade

5-marque com (x) na opção com as palavras que preenchem corretamente as lacunas .(pagina 17)
Os  GERMANOS entraram no IMPÉRIO ROMANO por meio de migrações e invasões.

a) Império-romano-germanos.
b) Romano-império-germanos.
c) Germanos-império-romano
d) Romano-Império-germanos.

6- coloque (1)para visigodos, (2)para vândalos, (3) para francos, (4) para anglos saxões e jutos (5) para ostrogodos. (pagina 17)

(3) Eles se diferenciaram do demais povos germânicos por construírem um reino próspero e duradouro.
( 2)Eles dominaram o norte da África.
( 1 ) Eles dominaram a Espanha (Hispânia)
( 5) Eles dominaram a península itálica.
(4)Eles dominaram a Bretanha (Inglaterra)

7- Associe as colunas (Paginas 18 a 20)
a) Conjunto de reis de uma mesma família.
b) Conquistaram a Gália onde fundaram um reino.
c) Estabeleceu a capital do reino em Lutécia (atual Paris)
d) Mulher que teve grande influencia na vida de Clóvis
e) Dinastia que teve Carlos Magno como seu principal representante.
f) Povo que se estabeleceu na Itália central.
g) Patrimônio de são Pedro.
h) Caixa ou cofre destinada a guardar as relíquias de um santo.

(h )relicário
(g )Estados da igreja.
(f )lombardos
(e )dinastia carolíngia
(a )dinastia.
(d )Clotilde
(c )Clóvis
(b)os Francos

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A velhinha do cemitério.


A velhinha do cemitério.

Na paisagem bucólica do interior de Minas Gerais onde, em muitos locais a luz elétrica demorou bastante a chegar, as lendas e estórias fantásticas eram muitas. As pessoas se reuniam e papeavam até a hora de se recolher e finalmente dormir. É parte da cultura do mineiro aprender contar esses causos que são passados de geração para geração. Tem status de verdade para muitos os conteúdos dessas anedotas. 

Esse causo que vos relato agora me foi contado por meu pai. O fato em questão pode ter sido mais uma vez fruto da sua grande criatividade imaginativa. Ou talvez não, pois, no meu modo de ver, esse fato, especificamente, não é tão difícil de acontecer assim. Mas, chega de preâmbulo e vamos ao fato...

Meu pai (Sr. Abel) Contava aos filhos que ele trabalhava numa região um pouco distante da casa em que morava com sua velha mãe e os oito irmãos. Naquele lugar quase ermo, na periferia de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais não se conhecia nenhum tipo de transporte público e sequer a luz elétrica, que já havia chegado no centro da cidade tinha chegado no lugarejo. 

Então, se deslocar a longas distâncias era bem complicado e ter um cavalo era privilégio para poucos, mas o jovem Abel Lima, sempre foi muito bom de perna e marchava diariamente e com tranquilidade a distância de pelo menos 8 km para chegar ao trabalho e o mesmo trajeto para voltar pra voltar pra casa. 

Mais uma vez, porém, o problema não era a distância nem o caminho a percorrer, mas as estórias que se contavam sobre esse caminho. Para ser mais especifico as narrativas envolviam uma parte desse caminho. A passagem pelo cemitério são Firmino é que assustava o povo e quase ninguém se arriscava àquelas paragens quando escurecia. À noite, para se passar por ali, precisava-se de uma dose de coragem muito grande.

Boa parte do trajeto era de roça e mata e poucas casas podiam-se avistar. À noite, então, o breu era total e não se via nada. Nenhuma “alma viva” por ali. Abel voltava do trabalho por volta de sete horas da noite e tudo já estava às escuras. Só um detalhe o deixava mais em alerta: no caminho havia o tal cemitério que era um cenário bem conhecido dos contadores de estórias locais. 

FALAVA-SE DA APARIÇÃO DE FANTASMAS OU OUTRAS CRIATURAS DO OUTRO MUNDO. ATÉ O “COISA RUIM”, SEGUNDO ALGUNS, JÁ TERIA DADO AS CARAS POR ALI. 

O jovem Abel, porém se achava muito destemido e com o passar do tempo acabou por esquecer dessas estórias dos mais velhos. Havia seis meses que trabalhava no mesmo local, na venda do Seu Barnabé, próximo ao centro da cidade e sempre fazendo o mesmo caminho, nunca se deparou com nada nem ninguém que não fosse de carne e osso. PELO MENOS ERA ASSIM O QUE ELE PENSAVA.

Havia um mês que ele tinha a companhia de uma velhinha muito falante. Era uma senhora de aproximadamente 90 anos que se apresentou como dona Julieta e que lhe fazia, desde então, companhia durante todo trajeto sempre conversando com o jovem Abel. 

Ele não sabia onde ela morava e ela simplesmente desaparecia quando se despedia dele em casa.

Um dia, ele conversava com a mãe sobre dona Julieta:

-Mãe, a senhora conhece alguma dona Julieta?

-Por essas bandas meu fio, a única dona Julieta que conheci morreu faz uns dez anos.

-Mas essa que eu conheci é uma senhora magrinha, baixinha, branquinha e muito simpática- descreveu-a ele.

-É meu fio ela é muito parecida com a Dona Julieta que conheci, mas pode ser outra pessoa. Afinar, a outra já se foi desse mundo.

Abel não ligou muito para o que lhe disse sua mãe e continuou voltando do trabalho sempre na companhia de Dona Julieta. Mas, apesar de conversarem muito, ele não sabia muita coisa sobre a senhora Julieta.

Um dia, ele conversava animadamente com dona Ju, pois ele já achava que tinha intimidade suficiente com ela e passou a chamá-la assim. Papo vai, papo vêm, nem se deram conta e já estavam próximo ao cemitério São Firmino. 
Ele então a perguntou:

- Sabe dona Ju, há muitas estórias de fantasmas que teriam assombrando as pessoas aqui nas proximidades do cemitério. A senhora não tem medo de passar por aqui de noite?

A velhinha olhou para o jovem e respondeu meio lacônica: 

-Oia meu fio eu já tive muito medo sim, mas agora não tenho mais não. 

O jovem Abel não se deu por vencido e mandou outra pergunta:

-E por que a senhora não tem mais medo? 

E cheio de si, antes que ela respondesse a pergunta anterior, manda outra todo orgulhoso:

- Não será porque a senhora está comigo que perdeu esse medo?
Sem se abalar a velhinha respondeu na maior inocência:

-OIA MEU FIO, EU TINHA MUITO MEDO DE PASSAR AQUI 
QUANDO ERA VIVA, MAS AGORA EU NÃO TENHO MAIS. 

O jovem e destemido Abel fazia compulsivamente o sinal da cruz e logo que parou de tremer correu como nunca em sua vida. Nem o jurafinca o fez correr tanto. Segundo os seus relatos, TERIA CORRIDO OS CINCO QUILÔMETROS DE CAMINHO QUE FALTAVAM EM APENAS CINCO MINUTOS. UM KM POR MINUTO!! ESSA FOI A VELOCIDADE MAIS INCRÍVEL QUE UM SER HUMANO PÔDE ATINGIR, ainda mais estando com as calças cheias de uma substância malcheirosa que lhe escorriam pelas pernas. 

Mais uma vez chegou em casa assustando a pobre da mãe e batendo na porta com tanta violência que quase a arrombou. 

Quando contou pra mãe o papo com havia tido com a finada Julieta (que afinal era a mesma que ela conhecera em vida) essa lhe deu como resposta apenas a expressão de espanto conhecida por muitos de nós mineiros:

-Crem Deus pai!!!

Francisco Lima

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A verdade de cada um.


A verdade de cada um.

Às vezes fico a pensar em como somos complicados e como tornamos difícil o simples ato de existir no planeta terra pela nossa incúria, orgulho, vaidade etc. Seria bem simples se todos seguíssemos um único mandamento deixado pelo mestre dos mestres: FAÇAMOS AOS OUTROS AQUILO QUE GOSTARÍAMOS QUE ELES NOS FIZESSEM.

Porém é difícil para nós, ainda muito renitentes no erro, seguir qualquer recomendação deixada pelo mestre Jesus. Isso exigiria de nós mais amadurecimento, autoconhecimento, esforço e perseverança, coisas que dão muito trabalho. Para atingir o nosso objetivo (chegar a um suposto paraíso post mortem ) ainda preferimos seguir as velhas fórmulas e terceirizar a nossa responsabilidade.

E as religiões não ajudam muito, pois elas não fazem esse papel de unir os seres humanos. Contrariamente a isso, aliás, cada uma delas criam as “suas verdades” e não aceitam o diálogo inter-religioso e nem as “verdades” vindas de outras fontes religiosas. EM RESUMO, AGIMOS QUASE TODOS COMO FARISEUS, POIS NOS ACHAMOS COM O MONOPÓLIO DE UMA VERDADE QUE NINGUÉM CONSEGUE DEFINIR. Aliás, é proibido pensar muito nisso, pois é um tema tabu e, nesse sentido é pecado refletir sobre essas coisas.

Na política também não abrimos mão do monopólio da nossa “verdade” e nosso partido sempre está com a razão. Assim, rotulamos os que não pensam como nós e os tratamos de maneira pejorativa. Em nosso Brasil, NESSA ÁREA NINGUÉM SE ENTENDE e seguimos nesse caos sem fim.

Tudo isso seria legal, pois ninguém pensa igual a ninguém. É NAS DIFERENÇAS QUE APRENDEMOS. Assim, temos as nossas muitas verdades consolidadas se opondo às outras muitas dentro de um universo que SERIA BOM E ATÉ SALUTAR SE TODOS ACEITÁSSEMOS QUE O OUTRO PENSA DIFERENTE DE NÓS. Isso, porém ainda é uma utopia.

Alias, falando em diferenças vamos pensar um pouquinho sobre um assunto que ainda é polemico em nossa sociedade hipócrita: QUE DIFERENÇA FAZ NA MINHA VIDA SE O MEU VIZINHO TRANSA COM UM HOMEM OU COM UMA MULHER? Se eu for uma pessoa normal e bem resolvida, isso não me afeta em nada. MAS, AINDA ESCONDEMOS AS NOSSAS MAZELAS (QUE SÃO MUITAS) E NOS PREOCUPAMOS COM AS ATITUDES ALHEIAS. Vemos o cisco no olho do vizinho e escondemos a trave em nossos olhos.

Em suma, não sou gay, hétero, evangélico espírita, budista, umbandista, candomblecista etc. Tudo isso é apenas uma imagem que eu passo de mim, sendo não mais que um espelho do meu ego. Ou seja, isso não é a minha essência, mas uma imagem que as pessoas têm de mim.

O QUE EU SOU DE VERDADE DEPENDE DAS MINHAS ATITUDES E DO MEU ESFORÇO POR SER UM SER UM SER HUMANO MELHOR A CADA DIA. ESSE ESFORÇO DEMANDA TEMPO E PERSISTÊNCIA E NESSE SENTIDO O BEM DA COLETIVIDADE PASSA A SER A MINHA ASPIRAÇÃO.
QUANTO ÀS RELIGIÕES, ELAS AINDA SÃO NECESSÁRIAS E EXISTEM, EM TESE, PARA RELIGAR O HOMEM AO CRIADOR E TORNÁ-LO MELHOR A CADA DIA, MAS SE TODOS JÁ AGÍSSEMOS NO BEM, NEM PRECISARÍAMOS MAIS DE RELIGIÃO.

Esperamos ver essa UNIÃO DOS SERES HUMANOS quem sabe na geração nos nossos netos, bisnetos, tataranetos, tetranetos....

Francisco Lima.

Estórias do interior: O jurafinca



Estórias do interior: O jurafinca

Quando eu era criança na minha pequena cidade natal do interior de Minas Gerais eu ouvia muitas estórias do folclore local e muitas dessas estórias versavam sobre fantasmas e seres sobrenaturais de todo tipo. Esses contos eram sempre adaptados, de acordo com as personagens que apareciam na trama. Meu pai sempre aparecia se dando bem no final. Outros personagens quando entravam na estória representando um papel similar ao dele sempre se davam mal. Mas, ainda assim ele era um exímio contador desses fatos tidos como fantásticos.

Enquanto criança eu ainda acreditava nesses contos fantásticos, mas fui crescendo e comecei a duvidar da veracidade deles. Até que um dia pude ver com esses olhos que a terra ainda há de comer que nem tudo que me foi contado eram contos fantásticos. Talvez muitos desses contos fossem reais de fato, pois acabei por me deparar com o inverossímil JURAFINCA que na minha cabeça de jovem não passava de imaginação de papai.

Meu pai contava sobre um animal, não sei posso me expressar assim. Mas o bicho parecia um animal de grandes proporções que perseguia as pessoas que cruzavam uma floresta após a meia noite. Esse bicho tinha aproximadamente uns seis ou sete metros de altura segundo as descrições dadas pelo meu pai e se assemelhava a um imenso gorila. Muitos homens que se atreveram a atravessar a tal floresta que ligava as duas cidadezinhas não voltaram mais para contar sua história. Eles teriam desaparecido sem deixar rastros ou vestígios.

As cidadezinhas de Entre folhas e Pau de folha eram ligadas por essas área de floresta de aproximadamente cinco quilômetros de extensão. Era um local completamente ermo e, à noite, a escuridão era total. Muita gente não arriscava a passar pelo local nem durante o dia, visto que o local era o principal cenário dos contos de terror dos mais velhos que já teriam visto coisas do arco da velha por aquelas paragens.

Eu estava então com 18 anos e me achava um jovem cheio de disposição e coragem. Por esse tempo eu já não acreditava nas estórias fantásticas contadas pelos mais velhos. Para mim, eram apenas contos folclóricos, tais como o do saci, da mula-sem-cabeça e muitos outros que já fazem parte do folclore brasileiro.

Nesse tempo eu morava na cidade de Pau de folha e comentava-se que haveria uma festa de casamento na cidade vizinha de Entre folhas. Muita gente da minha cidade iria ao casamento. O pessoal era conhecido nosso e eu também não perderia essa oportunidade. Todo mundo sabia que existia um caminho Pela estrada, mas que era muito mais longo. Talvez esse caminho mais longo ficasse para a volta, pois o medo de passar pela floresta altas horas da noite era por demais grande. Eu, porém não estava disposto a encarar esse longo caminho. Iria pelo atalho da floresta e voltaria são e salvo provando pra todo mundo o quanto há de fantasioso nessas estórias dos mais velhos.
Quando me preparava para sair para o casamento minha mãe ainda tentou me alertar:
-Fio, não vá pela floresta sozinho que o caminho tá perigoso demais. O JURAFINCA anda aparecendo muito por esses dias. O fio do seu Zé Marçal despareceu na floresta há um mês e ninguém teve mais noticia dele. Vai junto com o povo e não se arrisque sem necessidade.

-Que nada mãe! Isso é coisa de gente ignorante! O Jurafinca é um folclore e não existe de verdade.

- Ele há de aparecê procê e ocê nunca mais vai duvidar dos mais véio.

-Boa noite mãe.

Saí de casa aborrecido com a praga rogada pela minha mãe. Dizem que praga de mãe é forte e dificilmente não se concretiza. Mas isso é coisa de gente roceira, ignorante.

Fomos todos pelo atalho da floresta, pois ainda não havia escurecido e o aspecto daquele lugar sombrio em nossa imaginação ainda não era tão assustador assim. Passamos pela floresta sem qualquer incidente digno de nota, chegamos todos animados ao casamento, mesmo depois de uma longa caminhada de cinco quilômetros.

A festa foi ótima, especialmente para mim que acabei arrumando uma namoradinha por lá. Uma menina de apenas 15 anos arrebatou meu coração. Agora eu teria motivos de sobra para atravessar a floresta muitas vezes mais. Mas o povo estava preocupado em como voltaria pra casa, visto que o tempo havia passado e já eram quase dez horas da noite. Muito tarde para quem precisava encarar uma maratona a pé, já que passar pela floresta àquela hora nem pensar. Mais o povo teve que voltar pra casa e pegaram o caminho mais longo. Mais de dez quilômetros de caminhada firme.

Eu, porém resolvi voltar pela floresta. Ainda chamei alguns homens, alguns colegas meus, mas ninguém topou. Encarar a floresta naquela hora avançada era algo muito perigoso na cabeça daquela gente medrosa. Mesmo com um pouco de medo, não arredei pé e fui fundo floresta adentro. Quando já estava chegando no meio do caminho comecei a pensar nas histórias do meu pai. Era ali que tudo acontecia. Os latidos dos cachorros já eram visíveis e davam a impressão de que algo estava acontecendo. Eu não tive muito tempo de pensar na situação. Quando dei por mim, lá estava ele muito próximo. Era um bicho enorme, peludo e que me olhava furioso. NUNCA TINHA VISTO ALGO PARECIDO E NEM IMAGINAVA EXISTIR UMA CRIATURA TÃO MONSTRUOSA.

Para salvar a minha pele, nunca corri tanto na minha vida e só não fui pego pelo monstro porque me escondi algumas vezes entre as árvores e arbustos. Por ali eu ficava minutos, que pareciam séculos, guardando completo silencio apesar do imenso medo. As calças já estavam cheias, pois não consegui me segurar e me defequei todo. O coração batia tão forte que parecia que ia saltar pela boca.

Pensava em permanecer no meu esconderijo até o dia amanhecer, mas o fedor que saia do meu corpo era grande demais para eu suportar. Consegui despistar o monstro a achei um pequeno atalho, uma trilha onde ele não conseguiria passar. Ganhei no mínimo uns duzentos metros de vantagem e segui adiante. Quando ele me avistou eu já estava bem adiantado e consegui correr até chegar próximo a outro esconderijo, pois o bicho corria muito.

E assim, usando um pouco de inteligência e mudando sempre de esconderijo consegui chegar em casa. Absolutamente morto de cansaço pulei a cerca da minha casa gritando pela minha mãe e de tanto medo arrombei a porta antes que ela a abrisse. Minha mãe viu o espectro do monstro e pôs-se a rezar e a se benzer até que o bicho se afastou milagrosamente da nossa casa, como que por encanto ou mesmo pela ação potente da sua reza tida como forte.

Depois desse dia, continuei namorando a menina da cidade vizinha, mas não tive mais coragem de passar pela floresta. Isso virou um trauma que eu jamais superei.

Aprendi bastante com esse fato, principalmente a respeitar a opinião dos mais velhos. Respeitar suas crenças e valores e a não considerar como lendas os fatos narrados por eles. Para mim, tudo agora é verdade até prova em contrário.

Francisco Lima

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

E se eu ganhasse na megassena?


E se eu ganhasse na megassena?

    Vejo o sorteio ao vivo e confiro os números que joguei na megassena. Não acredito, acertei o primeiro, o segundo, o terceiro números..... será que a sorte finalmente sorriu pra mim?

E assim foi: acertei também o quarto, o quinto e............

TAMBÉM O SEXTO NÚMERO.

-ESTOU RICO, MILIONÁRIO. Grito a plenos pulmões.
Não sei o que fazer. Uma euforia louca toma conta de mim. Vou ligar pra todo mundo e contar a novidade.     

Pego o telefone, começo a discar, mas penso melhor: Não posso espalhar a novidade, senão todo mundo vai querer um pedaço da minha fortuna. Ganhei 100 milhões de reais, mas é um dinheiro que acabaria num piscar de olhos se todo mundo que conheço resolvesse me pedir ajuda.

  Penso bem no que fazer: vou morar em Paris. Não.  Nova Iorque seria melhor, talvez Londres ou quem sabe numa cidade pequena nos confins do mundo onde ninguém mais me encontrasse.  Não me decido quanto a isso.

 Devo pensar melhor no que fazer. Vou comprar carros blindados, vou 
construir um castelo também à prova de bala, vou viajar pelo mundo. Quem sabe eu possa conhecer Marte. Sempre quis conhecer outros planetas, talvez agora eu possa fazer isso. Pensando melhor, talvez o dinheiro não me dê esse poder todo. Continuo sem saber o que fazer...

Uma coisa, porém eu não posso fazer: NÃO VOU CONTAR A NOVIDADE PARA NINGUÉM.  Isso seria a minha ruína financeira.
Nas primeiras horas, Não queria contar a novidade nem para minha mulher com medo de que ela falasse para alguém. Sabe como é né, mulher não consegue segurar a língua. Refleti um pouco e contei-lhe a novidade, mas fi-la jurar que não falaria para ninguém, nem para as minhas filhas. Se tal ocorresse, eu sumiria e elas não teriam mais noticias minhas.

  Uma grande aflição começou a tomar conta de mim. A síndrome do pânico, o medo da violência, o olho grande dos vizinhos e perseguições que jamais passaram pela minha cabeça. Comecei a imaginar  que haviam me sequestrado, que eu estava sendo torturado e, no auge do desespero,  eu acordei.

 Que bom que tudo não passou de um grande pesadelo. Eu sequer jogo na megassena. Penso que o dinheiro em excesso pode ser uma fonte de tormentos para quem ainda não adquiriu a maturidade necessária de como geri-lo com sabedoria. 

Ao contrario do que muitos imaginam, o dinheiro sem sabedoria e 
solidariedade pode levar e, não raro leva,  muitos seres humanos à perdição. 

 Dinheiro é importante, mas não é tudo em nossa vida. Pensemos nisso antes de qualquer outra coisa.


Francisco Lima. 

Será que Papai Noel morreu?


Será que Papai Noel morreu?

Sempre que chega o final de ano fico pensando nas crenças de quando éramos criança. Na minha geração talvez fôssemos mais ingênuos e menos questionadores da realidade que nos cercava e, por isso mesmo, acredito eu, a grande maioria de nós ainda ficava à espera do bom velhinho para nos trazer um presente de natal. Em grande parte dos lares (incluindo o desse que vos fala) a pobreza era tanta que só restava ELE para nos trazer o tão sonhado presente natalino.
Se ELE não pôde trazer o nosso mimo no ano anterior, pois que talvez estivesse muito ocupado e não tenha podido ir a todos os lugares, pouco nos importa. Para nós, ainda restava a esperança de que ELE iria nos visitar naquele ano. E ficávamos a pensar: Esse ano esse senhor de barbas brancas e rosto simpático há de se lembrar de nós.

-Ingenuidade nossa?
Talvez.

Falta de informação?

É possível, mas Isso não era tão importante assim para nós.

Vivíamos a nossa realidade da maneira que era possível vive-la...

Na vida cotidiana a realidade naquele tempo era outra, pois não tínhamos tanta informação como se tem hoje: não existia internet, as redes sociais eram coisas de filmes futuristas e as informações jornalísticas eram transmitidas via satélite, chegando aos nossos lares (nem todos) pela televisão. Claro, com todos os problemas que pudessem acarretar uma transmissão dessa natureza.

Paremos por aqui com as viagens no tempo da nossa infância, senão o choro pode molhar o papel e estragar tudo o que pretendemos escrever. Chega de saudades, basta de nostalgia! Mas de que eu queria falar mesmo? Já estou até me esquecendo.

A sim. Soube de uma informação, de uma noticia e acho que ela é mesmo quente, mas não sei direito a fonte: fiquei sabendo por aí que PAPAI NOÉL havia morrido. As circunstancias não ficaram muito claras, mas pelo que pude compreender ele caiu num buraco para nunca mais voltar. Não. Nunca mais talvez seja muito tempo, quem sabe ele não consiga escapar dessa com vida, surpreendendo até os céticos quanto à sua recuperação? Muita gente ainda não acredita na sua morte, mas ainda assim vou relatar os fatos que chegaram até a mim.

ELE supostamente andava nas proximidades de uma avenida movimentada duma grande metrópole naquela azafama, apressado em buscar suas muitas encomendas natalinas. Parece que tinha a companhia próxima de Fortuna, a deusa romana do acaso, da sorte, do destino e da esperança. Eles andavam distraidamente e havia uma ponte que ligava os dois mundos: O mundo da realidade, turbulento e racional e o mundo da fantasia, onde a imaginação ganhava ares de realidade.

Eles andaram por muito tempo no mundo da fantasia (supostamente um mundo paralelo ao nosso “mundo real”) e precisavam atravessar a tal ponte para chegarem ao mundo real. Não perceberam que essa ponte estava muito deteriorada e desgastada pelo tempo e acabaram caindo num grande buraco, conhecido como buraco do esquecimento. Ninguém os encontrou, ninguém sabe aonde foram parar. Teriam morrido juntos Papai Noel e a (deusa da) esperança? Isso teria acontecido há alguns anos ou algumas décadas? Ninguém sabe ao certo.

O que podemos observar é que a morte da esperança (vamos chamá-la assim) e de Papai Noel que caíram no buraco do esquecimento deixou muita gente sem chão. A desesperança levou ao desespero e a falta dessas referências pode estar levando à morte da união, do amor, da solidariedade, da ética.

- Vamos todos fazer um mutirão para consertar essa ponte que nos liga ao “mundo paralelo” dos 
nossos ancestrais.

À parte as crenças religiosas, vamos todos nos unir em torno do amor, antes que Afrodite (deusa do 
amor) também caia no buraco do esquecimento e então estaremos todos irremediavelmente perdidos.

Francisco Lima.